Dasein as Design Or: Must Design Save the World?
October 30, 2009
O design no seu curto tempo de vida propôs como objectivo a criação de objectos úteis e esteticamente agradáveis. Esta criação tem sido potenciada e aumentada a uma escala gigantesca pelo surgimento de novas técnicas, meios e esquemas de produção. A produção de bens usado o Design, nem sempre numa relação simbiótica, como meio para atingir volumes cada vez mais superiores servindo-se do seu propósito de tornar os objectos esteticamente apetecíveis neste caso mas sem acompanhar a vontade de os tornar sobretudo úteis, assim como Ossterling expôs “Design beautifies your environment but adds to the rubbish heap.”. No entanto o Design não se limita a intervir meramente a um nível limitado das interacções da sociedade, e o exemplo anterior delineia apenas uma das vertentes que constituem o papel do design na relação que tem com outros campos.
No que passou por ser um processo mais individualista no seu início passou a ser uma procura de interactividade com outras disciplinas na perspectiva de produzir valor do ponto de vista humano. O Design como disciplina que influencia o espaço através da intervenção que desenvolve com campos como a arquitectura com os meios de produção e consumo e com os sistemas funcionais da sociedade desempenha um papel critico no qual segundo Oosterling se pode avançar como questão “Must Design Save The World?”. A situação em que se encontra a sociedade, sobretudo a ocidental é uma que encontra a sua origem enquanto conjunto de valores no início da revolução industrial e mais recentemente influenciada pelo surgimento dos novos media. Gerou-se um ciclo de consumo e sobre-exploração de meios que pela sua natureza não é sustentável. A ubiquidade com que os novos media e avanços tecnológicos tomaram posse das nossas sociedade, da forma como comunicamos e das necessidades que temos ou que somos levados a crer que temos resultam da tentativa, que até agora com sucesso, procura o incessante desequilíbrio entre procura e oferta que regula os mercados e ultimamente impacta a sociedade em geral. Este desequilíbrio que se explica pela criação de novas necessidades, já que os processos de produção de que dispomos são várias vezes os necessário para assegurar as nossas necessidades reais, é auxiliado pelo Design e como tal este deve partilhar da responsabilidade que ao seu contributo assume para um cultura de trow-away. Um dos conceitos ou desafios que Oosterling apresenta é o de Dasein como Design, o que se impõe é que num sentido literal que se exista através do Design mas no qual se deve ler que o Design tem o poder de influenciar a forma como existimos, tem o poder de assegurar ou pelo menos despertar uma cadeia de eventos na qual possamos alcançar uma sociedade mais equilibrada e responsável. O Design deve e tem a possibilidade de repensar as relações com os objectos á luz dos novos meios deve promover o design relacional.
Os novos media são um elemento difusor, mensagem e produto que se instalaram e tomaram um rumo próprio, são também sem dúvida os novos produtos massificados da industria na forma como são definidores e definidos pela sociedade e criam espaços nos quais o Design pode reclamar e contactar com outras disciplinas e através de uma influência responsável e fiel ao principio de utilidade contribuir para uma mudança de hábitos, práticas e valores que transformam a nossa relação com o consumo. Ao integrar na sua acção um conjunto alargado de indivíduos que são importantes não só pela suas capacidades técnicas mas sobretudo pelo seu papel como elementos da sociedade, só por esta acção pode-se proporcionar a criação de objecto que respondam a uma emergente crise de consumo sem sentido na qual começa a emergir a necessidade de criar valor afectivo ao invés de criar apenas necessidade.
Texto original por Henk Oosterling em: http://www.premsela.org/_images/2007/01232.pdf