Processuality

October 30, 2009

Processuality é um dos quatro pilares defenidos por Gerfried Stocker como essencial á arte digital, esta noção é enfatizada pelo relato da mesma por Golan Levin1 que denota que este termo é uma remeniscência do Modernismo. É necessário compreender que “processuality” engloba um conjunto de conceitos que ao serem aplicados á arte digital se traduzem de forma estética no seu produto. Manifestando-se a partir do momento em que surgiram nas artes as primeiras explorações com o meio digital potenciadas primeiramente pelas experiencias de abertura a novos meios de expressão como as “happenings” e “performances” que não tendo uma ligação directa com o advento da integração dos meios técnicos digitais na arte foram de grande importância para que pudesse existir um “mindset” predisposto a este desenvolvimento e implementação2. Exemplo destas experimentações iniciais são o trabalho de John Cage e Nam June Paik3 que através da introdução de métodos processuais na sua prática artistica em conjugação com meios analógicos e o posterior com meios exclusivamente digitais transmitem as primeiras noções de “procesuality” como elemento. Este conceito “processuality” é intimo á linguagem técnica da informática, “processuality”, processador(cpu), são quase o executor e a acção e segundo Bruce Sterling4 Deleuze and Guattari:
“I hate to drag those two in here, but they did in fact use this term quite early – claim that “processuality” is the antithesis of “arborescence.” “Arborescence” is a static, tree-like hierarchy trying to exist in the world as a single, well-defined stable entity, while “processuality” has something weird going on. Carefully crafted layers of paint, in a frame, curated and hung on a gallery wall that has arborescence. Software has “processuality”. Software is electricity flowing through circuits, algorithms being executed. The aesthetic look-hear-and-feel of software as it scampers through its repertoire of behaviors is its “processuality.” Esta compreensão do processo é essencial, a “processualidade” como fundamento da arte digital e destacando a ultima frase de Sterling é mais do que a formula de conceber um objecto ou alcançar uma mensagem, transformado-se a si propria em objecto de estetica. A forma como o conceito de “processuality” se integra na arte digital tem como fundamento duas componentes/caracteristicas essencias como descreve Golain Levin, “Generativity” e “Algorythmic Processes”. Para exemplificar melhor estas vertentes, recorremos a dois trabalhos do grupo musical Radiohead.

Generativity - A arte generativa é uma prática onde o artista utiliza um sistema, seja um programa de computador ou outra invenção procedimental, que funciona com algum grau de autonomia tendo como resultado (ou contribuindo para) o objecto de arte. O elemento chave é o sistema ao qual é cedido este controle, quer seja parcial ou total. O video da música “Bodysnatchers”, do álbum “In Rainbows” foi criado por Glenn Marshall. Marshall acredita que a arte audio visual, especialmente quando cruzada com animação generativa cria resultados fascinantes através das variáveis infinitas.

Algorythmic Processes - Na arte digital, os logaritmos são utilizados como um método matemático formal para a construção de programas. O grande desafio é tentar obter um resultado sucinto e eficiente (e artístico), e não tanto as possíveis derivações do programa.5 A música “Idiothéque” do revolucionário álbum “Kid A”6  utiliza logaritmos na sua composição. Baseada em “Mild und Leise” de Paul Lansky7 de 1973 (baseada por sua vez na ópera “Tristão e Isolda” de Richard Wagner). Toda a melodia da música se baseia num loop de segundos feito a partir desta peça de Lansky.

Como referência interessante: http://www.sanart.org.tr/PDFler/109a.pdf
1 http://www.flong.com/texts/interviews/interview_nemerov/ Entrevista a Golan Levin
2 http://www.goethe.de/ges/pok/dos/dos/wdp/kuk/en3086939.htm Go with the Flow: Fluxus and Happenings, Dr. Anja Osswald
3 http://www.medienkunstnetz.de/themes/overview_of_media_art/museum/print/ Form Follows Format Tensions, museums, media technology and media art Rudolf Frieling
4 http://scalablecity.net/cutting_across.html Cutting across somewhere beween in the scalable city, Bruce Sterling
5 http://www.home.cs.utwente.nl/~fokkinga/algorithmics.html
6 http://www.rollingstone.com/reviews/album/202351/review/6068274/kida
7 http://www.absoluteastronomy.com/topics/Paul_Lansky

Por Marta Jardim e Pedro Carvalho.

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