Design Social

November 2, 2009

O Design tem por objectivo criar objectos úteis direccionados para resolução de um problema que sejam esteticamente agradáveis. O designer tem desenvolvido a sua actuação como profissional em várias áreas e como um campo que tem estado em constante evolução encontramos uma forte apetência pelas suas capacidades de resolução de problemas em áreas como o marketing o branding e a publicidade. Assim de forma constante o designer cria e concebe produtos objectos ou serviços que têm como destino final o consumo ou utilização pela sociedade e de forma consciente através desta interacção inevitavelmente o Design impacta, promove e condiciona a forma como a sociedade se relaciona com o resultado desta concepção criativa. No entanto ao estar subjugado ao mercado estes processos de criação são orientados segundo uma lógica económica que visa o benefício por parte de quem procura empregar esta disciplina como um meio de promoção mais eficaz da sua actividade. Existem é claro, casos em que a lógica não será a de benefício económico, mas são sobretudos estes que são mais perceptíveis pela sociedade na medida em que é nestes que o contacto é mais constante mesmo quando não existe uma percepção explicitamente consciente destes acontecimentos, numa sociedade de consumo, construiu-se uma verdadeira cultura de “trow-away” de criação de necessidades vagas de sentido utilitário para suportar toda uma indústria que por utilizar o Design estende por associação a percepção de subscrição por parte do designer destas práticas. Ao ter consciência de que integra um papel cada vez mais importante socialmente, uma vez que o resultado prático da sua actividade interage com a sociedade, o designer deve assumir a sua responsabilidade social como elemento da mesma. É desta necessidade de tomar responsabilidade pela forma como desenvolve a sua actividade, pela forma como protagoniza um meio de comunicação entre os consumidores e as empresas, que se tem desenvolvido a ideia de ética associada ao design.

O designer tem uma obrigação moral de desenvolver soluções que sejam socialmente responsáveis, se o ignorar então não estará verdadeiramente a desempenhar o seu papel e a longo prazo uma mentalidade conjunta que se deixe guiar por valores pervertidos ao consumo massificado irresponsável será extensivamente prejudicial ultimamente repercutindo-se os seus efeitos no nosso futuro enquanto sociedade, esta questão encontra eco numa comparação por David Berman(1), os médicos, como um elemento que afecta directa a sociedade actuando tanto a um nível individual como global pela sua natureza foi praticamente desde a sua génese regulado por um código que se sobrepõe ao da sociedade tal a importância da sua actividade, o juramento de Hipócrates. Esta é uma questão fundamental e com o avanço tecnológico é impossível ignorar o fenómeno da globalização, qualquer um tem agora a possibilidade de atingir milhões. É natural que tenham, desta consciência social, emergido movimentos como o eco-design que procura a criação de soluções que provam a redução de elementos não-renováveis na sua concepção minimizando o impacto ambiental. Quando a base de clientes do Design é sobretudo composta pelos grandes produtores, distribuidores e prestadores de serviços é inegável o impacto que a procura de alertar e promover soluções responsáveis desempenha. Podemos no entanto argumentar que ao promover a actividade do designer segundo princípios de sustentabilidade estaríamos inevitavelmente a interferir com a sua capacidade criativa pela imposição de condicionantes, no entanto este argumento creio é uma falácia, como elemento responsável na sociedade criar uma solução que integre estes princípios não é subverter a sua actividade mas sim a sua responsabilidade moral e o indicador de que um projecto foi verdadeiramente bem conseguido, os macro objectivos enquanto sociedade devem ser soberanos em relação aos de uma actividade económica de beneficio a curto prazo e limitado. “By ignoring the importance of their work and the issues that surround it, designers are part of the problem, not the solution.”(2).

1. http://www.youtube.com/watch?v=b8aqhhyGSnU David Berman on Design And Social Responsibility

2. Megan Prusynski, Ethics in Design (registado nas webgrafia).

Webgrafia:

http://www.smartdesignworldwide.com/pdf/Social_Responsibility_Through_Design.pdf

http://backspace.com/notes/2003/05/citizen-designer-perspectives-on-design-responsibility.php

http://designresearchgroup.wordpress.com/2008/01/10/design-and-social-responsibility-the-designers-accord/

http://www.meganpru.com/docs/ethics.pdf

http://www.davidberman.com/resources/AppliedArtsBermanInterview.pdf

http://www.davidberman.com/resources/AppliedArtsBrnoArticle.jpg

http://designyoutrust.com/2009/08/03/first-things-first-manifesto-2000/

One Response to “Design Social”

  1. [...] Design Social por Pedro Carvalho Categories: Uncategorized Tags:design, estratégia, modelo, papanek, prática, social [...]

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